Aos 80 anos, escola de samba Quem São Eles celebra história de resistência no Umarizal
'Quem são eles' completa 80 anos; veja histórias de devoção e paixão pela escola de samba
A Escola de Samba Quem São Eles chega a 80 anos de história em 2026 como uma das agremiações mais tradicionais do carnaval de Belém. Com 15 títulos do Grupo Especial, a escola, carinhosamente chamada de Quenzão, é referência de resistência cultural e preservação da memória no bairro do Umarizal.
“A gente conseguiu atravessar o tempo porque nunca deixou de ser comunidade”, afirma Jamil Mouzinho, diretor de carnaval da escola. “O Quem São Eles sempre se reinventou sem perder a essência. É isso que mantém a águia voando alto depois de oito décadas.”
Fundada originalmente no bairro da Campina, a escola se consolidou no Umarizal e passou a se chamar Associação Cultural Recreativa e Carnavalesca Império de Samba Quem São Eles. A sede fica na travessa Almirante Wandenkolk, entre a Boaventura da Silva e a Domingos Marreiros, hoje uma das áreas mais valorizadas da capital.
“Quando a gente chegou aqui, o cenário era outro. Isso tudo foi construído com muita luta”, relembra o presidente Luiz Omar. “Teve época em que a quadra precisou ser reconstruída mais de uma vez, mas o Quem São Eles nunca deixou de existir.”
No carnaval de Belém de 2025, o Quenzão encerrou um jejum de 29 anos sem título e voltou ao topo do Grupo Especial ao dividir o campeonato com a associação carnavalesca Bole-Bole. A conquista foi celebrada como um reencontro da escola com sua própria história.
“Esse título teve gosto de justiça”, diz Pedro Paulo Júnior, mestre de bateria. Há mais de 40 anos à frente da bateria 46, ele resume a relação com a escola: “São 42 anos só de Quenzão. Aqui é mais do que música, é vida. Nada é eterno, mas o compromisso com a escola é.”
Na avenida, a missão de defender o pavilhão fica por conta do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Brenda Calandrin e Vitor Almeida. “Representar esse pavilhão é uma responsabilidade enorme”, afirma Brenda, que defende a escola há 16 anos. “É dança, é respeito, é história.”
Vitor, que chegou à agremiação há dois anos, destaca o simbolismo da conquista recente. “A gente tem que dançar com verdade, com emoção. Defender o pavilhão é isso: corpo, alma e coração na avenida.”
À frente da bateria está Thaynah Elmescany, que começou como passista e hoje ocupa o posto de rainha. “Eu nasci e me criei aqui dentro”, conta. “Fazer parte dessa história é uma honra, e representar a escola nesse momento é ainda mais especial.”
Confiante após o título de 2025, a diretoria aposta na força da comunidade para buscar o bicampeonato em 2026, ano em que a escola celebra oito décadas de existência.
“O carnaval que a gente prepara é pensado a partir da nossa região, da nossa gente”, afirma Jamil Mouzinho. “A comunidade abraçou esse momento e sabe que o Quem São Eles continua formando novas gerações.”
Para o mestre Pedro Paulo, o futuro segue afinado com o passado. “Tenho certeza de que a águia vai continuar pousando lá em cima”, diz.
Sob as bênçãos de São Pedro, padroeiro da escola, a expectativa da comunidade é que o Quenzão siga fazendo do carnaval um espaço de memória, identidade e permanência no coração de Belém.
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