Saque de R$ 500 mil em Belém: PF prende trio suspeito de lavagem com contratos milionários com órgão estadual
18/03/2026
(Foto: Reprodução) Trio é preso ao sacar R$ 500 mil em agência de Belém. PF investiga lavagem de dinheiro.
Reprodução / PF
Uma ação da Polícia Federal prendeu em flagrante três homens após o saque suspeito de R$ 500 mil em espécie em uma agência do Banco do Brasil, na av. Conselheiro Furtado, bairro de Batista Campos, em Belém. Segundo as investigações, há indícios de lavagem de dinheiro ligada a contratos milionários, que somam R$ 3,8 milhões, com a Fundação Cultural do Pará (FCP).
Na tentativa de fuga, houve troca de tiros com os agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Não houve feridos na abordagem, mas o confronto incluiu disparos de advertência da PF para conter o condutor, que apontou pistola contra os agentes.
Os policiais federais apreenderam a mochila com o dinheiro, uma pistola, cinco celulares, e um veículo Land Rover. Perícias foram solicitadas.
O caso está sob sigilo de justiça. O g1 obteve uma cópia do relatório da PF com o auto de prisão detalhando uma rede de "laranjas", ocultação patrimonial e possível corrupção envolvendo um servidor público da Casa Civil. A reportagem também tenta contato com a defesa dos envolvidos e ainda não havia obtido resposta da FCP até a última atualização da reportagem.
Como foi a ação suspeita
Abordagem policial em agência bancária em Belém.
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Por volta das 15h30 de segunda-feira (16), um homem identificado como Ronaldy Rian Moreira Gomes sacou exatamente R$ 500 mil em espécie de uma conta corrente da empresa Solucione Produções Comércio de Livros e Serviços Ltda.
Segundo o relatório da PF, o numerário indicando justificativa de "pagamentos a bandas e fornecedores", o que seria incompatível com a renda declarada de Ronaldy e o ramo da empresa, do comércio varejista de livros.
Ao deixar a agência com o dinheiro em uma mochila, Ronaldy se dirigiu a um veículo blindado, que estava estacionado nos arredores.
O veículo estava registrado em nome de Joedson Assunção Ribeiro, funcionário de Felipe Linhares Paes usado supostamente como "laranja" para ocultar patrimônio. No interior, Felipe Linhares Paes dirigia o carro, e Michel Silva Ribeiro era passageiro.
Os agentes da FICCO iniciaram a abordagem e o suspeito identificado como Felipe tentou a fuga avançando o veículo contra os policiais apesar de comandos de parar o carro. Ele bateu o cano de uma pistola Glock 19 no vidro, apontando para os agentes, segundo o relatório.
Quem são os investigados
O relatório da PF aponta os seguintes suspeitos envolvidos:
Felipe Linhares Paes: Empresário; teve veículo e empresa ocultados via laranjas.
Ronaldy Rian Moreira Gomes: operador de dobradeira de uma gráfica, apontado como "laranja" de Felipe desde outubro de 2025, recebendo R$ 3.000 para figurar como sócio formal da Solucione. Em depoimento, disse que foi "a primeira vez" em uma operação de saque assim.
Michel Silva Ribeiro: jornalista com cargo comissionado na Casa Civil do Pará; é assessor parlamentar há 15 anos, e afirmou em depoimento que estava em uma "reunião casual sobre produção de livros didáticos", pegando carona ao banco sem saber do saque ou arma. Ele negou conhecimento sobre contratos entre a empresa e a FCP.
Suspeitas de lavagem, corrupção e contratos
PF apreende mochila com R$ 500 mil sacados em Belém.
Reprodução / PF
As investigações tiveram como base um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), indicando que a empresa Solucione recebeu valores de investigados por tráfico e lavagem de dinheiro.
A apuração também aponta uma suposta rede de pessoas jurídicas interligadas por um procurador comum, sendo titulares de contas bancárias, sem capacidade econômica.
Segundo o relatório da PF, os crimes em investigação são:
lavagem;
associação criminosa;
corrupção;
resistência;
porte ilegal de arma;
Os presos foram levados para a Central de Triagem Masculina da Marambaia, realizaram os exames de corpo de delito no IML. O relatório da PF foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), Justiça e Defensoria Pública.
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